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Afinal, podemos ou não atender amigos como psicoterapeutas?

Do Dilema Ético ao Acolhimento Inovador – Uma Jornada Pessoal e Profissional

Vivo o constante dilema de, sendo terapeuta, ter que negar atendimento a amigos. As diretrizes da psicanálise e da psicologia não são absolutamente proibitivas, mas ecoam nos profissionais da área como um sinal de alerta: “não é recomendável”. É um lugar comum da ética profissional, mas que dói no coração. Ver amigos recorrerem a mim, confiando em minha escuta, e ter que dizer “não” é uma das partes mais frustrantes da minha vocação. Mais do que um psicanalista, vejo-me como um acompanhante de jornadas evolutivas, e a impossibilidade de usar meus conhecimentos em filosofia e psicanálise, ou qualquer uma das demais formações que busquei, para auxiliar quem estimo, é um impasse constante.  E não é incomum que, ao indicar outros profissionais por mais competentes que sejam, a recomendação resulte em uma desistência silenciosa, um abandono da busca por ajuda que me cortava o coração.

Compreendo perfeitamente os riscos: a potencial ineficácia, o risco de fuga das sessões, a complexidade transferencial e contratransferencial irremediavelmente contaminada pelo vínculo pré-existente. Sabemos que a relação psicoterapêutica precisa de um campo neutro para florescer, algo quase impossível entre amigos. É por isso que todo terapeuta precisa do seu próprio terapeuta, para não projetar suas próprias questões em seus consulentes.

Este dilema profissional se fundiu a um momento pessoal de grande turbulência. Um grave problema de saúde do meu pai exigiu que eu me afastasse, dedicando-me quase integralmente à família e reassumindo minhas múltiplas responsabilidades.

O mundo digital, aquele “Mundo Líquido” de Zygmunt Bauman que tanto pode conectar quanto confundir o real e o digital, tornou-se uma distração sem sentido. Decidi recuar. Desativei minhas redes sociais, questionando meu papel nelas: profissional, amigo, apoiador, expectador, “brincador”?  Ou apenas mais um ecoando no vazio, um perfil perdido na multidão infinita de algoritmos? E aí, a exaustão falou mais alto, e cheguei a considerar um desaparecimento permanente ou um recomeço anônimo.

Foi então que uma mensagem vinda da Geh (Géssica com “G”), como é conhecida no universo das Lives, rompeu a barreira do TikTok. Seu questionamento, enviado na quietude da madrugada, ecoou com uma força singular: “Está tudo bem? Eu e a Coroa estamos preocupadas com você!”. Minutos depois, como um eco confirmando aquela sincronia de atenção, a mensagem da Coroa chegou, reforçando o mesmo fio de inquietação e zelo. Naquele dueto de preocupação, elas teceram, juntas, um farol de humanidade genuína no vasto oceano de interações efêmeras. Tocado por aquela conexão tangível e dupla, retornei. Ativei um perfil antes engavetado, deliberadamente vazio, movido pela intenção de uma presença discreta, apenas para agradecer aquele gesto.

A verdadeira surpresa, contudo, não estava no reencontro, mas no seu desdobramento. Foi quando Geh, em um ato de grande sensibilidade e acolhimento, propôs uma inversão de papéis. Não se ofereceu apenas como ouvinte, mas lançou a ideia com uma doçura capaz de dissolver qualquer formalidade:
“Vamos fingir que hoje sou sua psicanalista…? Só finja… Estou aqui para ouvir você!”.

E foi nesse espaço lúdico, porém profundamente sério, que algo se quebrou e se reconstruiu dentro de mim. A precisão de suas perguntas, a profundidade de sua escuta e a segurança do ambiente que ela criou não apenas me emocionaram, mas me fizeram refletir como há muito não o fazia. Ela me trouxe questões para as quais eu não tinha resposta imediatas, e me guiou por uma autorreflexão sobre tudo o que havia acontecido, até o ponto de tomar a decisão de desabilitar minhas contas e o momento presente. Aquele nobre de extremo cuidado, vindo de uma “amiga digital”, demonstrou que a amizade não era um empecilho, era a base de uma confiança profunda, às artérias por onde fluiu uma confiança autêntica, tão real que transcendeu completamente o mundo líquido..

De uma pergunta feita a ela, cuja rápida resposta, fechou-se um elo e nasce uma ideia! Não para burlar regras ou violar a ética, mas para transcender a dicotomia rígida entre “terapeuta” e “amigo”. Comecei imediatamente a esboçar um protocolo totalmente novo, inovador e jamais visto, uma maneira de ser participativo, acolhedor e guiar, sem violar os princípios sagrados do processo terapêutico. Não se trata de terapia, mas de algo novo, um acompanhamento evolutivo entre pares que honra o vínculo sem corrompê-lo.

Convidei a Geh para uma conversa inicial e lhe propus ser a Consulente 01 desse projeto, com a perspectiva futura de, comprovados a relevância e os resultados para ambos, quem sabe, tornar-se embaixadora do protocolo. Para minha satisfação profissional e pessoal, ela aceitou o convite e abraçou o desafio.

O acaso nunca foi uma explicação que me satisfez. Ao ver a sincronicidade, eu agradeço aos “Deuses do Digital” pelo dia em que o algoritmo me apresentou um de seus vídeos em meu For You (FY). Em minha primeira visita à sua live, fui imediatamente impactado pela autenticidade de seu acolhimento, uma qualidade rara que já relatei. Hoje, reconheço nela uma alma iluminada, sua habilidade de escuta ativa, desvelo natural e sensibilidade, foram provocações necessárias que me permitiram enxergar soluções além do impasse que eu e muitos outros profissionais enfrentamos.

Ela, de fato, define o que é uma influencer. Geh foi a peça fundamental dessa mudança de paradigma, e honrar sua contribuição significa transformar este protocolo em uma ferramenta acessível para o maior número de pessoas possível. Esta é a gratidão traduzida em prática.

É curioso e assustador pensar como, sem qualquer intenção, uma palavra nossa tem o poder de reescrever silenciosamente o caminho de alguém, pode ser a bússola que realinha um destino para a luz ou o desvio que o arrasta para a sombra, sem que jamais testemunhemos o caminho que ajudamos a florescer ou o estrago que ajudamos a semear.

Live, silêncio terapêutico ou conselho entre amigos:
Toda palavra carrega o peso de um destino que muitas vezes não veremos.


Quem são as duas mulheres que, numa madrugada silenciosa, perceberam uma ausência e com uma simples mensagem de amizade e preocupação genuína represaram a fluidez do mundo líquido de Bauman com um ato sólido de amizade?

Coroa é a força que encanta: Streamer e Policial Civil, sem medo do combate, de humor debochado, mas de sorriso fácil (nem sempre) e uma beleza que transcende o físico. Carrega uma alma de moleca travessa e a sabedoria de uma mulher experiente numa mente inquieta que aprendeu a transformar sua própria resistência em zelo.

Geh é a simplicidade que cativa: Streamer e professora de zumba, menina em forma de mulher, radiante e risonha. Pessoa que não tenta ser nada além de si mesma, e é nessa autenticidade que reside sua beleza mais profunda, transbordando na leveza com que navega pelas próprias batalhas.

O que elas têm em comum? Ambas carregam histórias que as ensinaram a oferecer o acolhimento que um dia tanto precisaram e não encontraram. E ambas personificam a quinta série que mora dentro de cada adulto que se recusa a levar a vida “tão” a sério! Juntas, elas são a prova viva de que algumas conexões digitais podem ser mais reais do que imaginamos.

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